“Se relacionar com o mar é se integrar ao território”: Rui Leão, arquiteto

“Nasci na Índia, morei em Portugal e me estabeleci profissionalmente em Macau, na China. Lá, trabalhei com o arquiteto Manuel Vicente, que foi muito importante para o desenvolvimento local. Sou professor na Universidade de Hong Kong e presidente do Conselho Internacional de Arquitetos de Língua Portuguesa (CIALP).”

Conte algo que não sei.

Sem investimento, é muito difícil o trabalho do arquiteto. O que acontece na China atualmente é resultado de uma acumulação de riqueza pelo governo. Essa riqueza está sendo aplicada em políticas de macroplanejamento territorial, com distribuição de recursos para cidades de pequeno porte, buscando melhorar as relações territoriais com o sudeste asiático e com o interior. A China, apesar de não ser vista como um sistema democrático, criou um ambiente que permite uma reflexão territorial profunda. A situação em que o Brasil está é muito prejudicial porque faz com que uma série de instituições, pessoas e redes parem de refletir. É uma situação de apagar fogo, de arranjar um trapo para não ter frio. Deixou-se de estar num patamar de conforto, de projetar um momento seguinte.

Mas não foi sempre assim?

Não. Houve momentos no Brasil em que as entidades estiveram muito preparadas para refletir em rede. Mas, sem dinheiro e falta de vontade política, muitas iniciativas importantes de valorização de locais antes esquecidos, como o projeto Favela-Bairro, no Rio, foram deixadas de lado.

Quais foram as singularidades e diferenças impostas ao Brasil e a Macau pela colonização portuguesa?

Durante a colonização, o Rio, por sua potência, riquezas e conquistas, era objeto político de propaganda do governo português para o resto do mundo. Por estar na Ásia, a importância de Macau era mais geográfica.

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