TRANSPORTE METROPOLITANO E HABITAÇÃO.  

 

    Noticia-se que a prefeitura do Rio está para decretar a desapropriação de milhares de imóveis, da Penha até à Barra, para a construção do antes denominado Corredor de Transporte T5, agora Transcarioca.

    Não se viu discutir alternativas, o custo certamente astronômico das desapropriações, os incalculáveis inconvenientes e ônus, não só financeiros, a serem arcados por moradores e profissionais instalados nos imóveis, os transtornos causados a eles e a toda a vizinhança, nem a imprevisível demora que sem dúvida será causada pelas inevitáveis e prolongadas questões judiciais.

    Especialistas concordam em que o maior, o decisivo, desafio a vencer no transporte metropolitano é adotar veículos que não sofram nem provoquem interferência na circulação com os demais e os pedestres. Tal desafio não encontra resposta nos decantados VLT, BRT e que tais.

    O trem subterrâneo seria uma resposta não fora o custo astronômico, a lentidão e os transtornos na construção, os problemas de acesso e de ventilação, o risco de não tão raras inundações. O trem elevado compartilha de praticamente todos estes senões, além de provocar grande dano ambiental sonoro e estético até por requerer estrutura portentosa.

    O investimento nos meios até aqui mencionados talvez deva ser esquecido ou deixado para futura consideração. A equação mais rápida e menos onerosa do problema poderia estar em estruturas, tão leves quanto possível, constituídas de pilastras ou postes em ângulo, às margens ou no centro de vias de superfície existentes, que suportariam trilhos onde penderiam e circulariam continuamente "bondinhos" elétricos.

    Para embarque, o "bondinho" estaria ao rés do chão, preferível mas não obrigatoriamente junto a estação-tubo. A altura dos suportes seria progressivamente maior até ser atingido o nível de circulação. A partir daí, a cada determinado número de quarteirões, seria progressivamente menor, até o "bondinho" voltar ao rés do chão. Condizentemente, nos trechos de subida e de descida, as calçadas se projetariam e seriam bloqueadas para afastar e proteger veículos de superfície e pedestres, e dar lugar a pontos de embarque e desembarque.

    Como vantagem adicional, a estrutura poderia ser aproveitada para suporte de aparelhos de iluminação e de sinalização, cabines telefônicas, caixas dos Correios, lixeiras e outros ditos equipamentos urbanos, dispensando e eliminando o anti-estético "paliteiro" que hoje se requer.

 

José Carlos de Saboia
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