DEBATE NO IAB-RJ SOBRE A CIDADE METROPOLITANA DO RIO DE JANEIRO

No último dia 16 de outubro de 2017, na sede do Instituto de Arquitetos do Brasil departamento do Rio de Janeiro (IAB-RJ), foi discutido os rumos da imensa mancha configurada entre as baías de Sepetiba de da Guanabara, que mora em apartamentos, enquanto 85% habitam em unidades unifapossui 12 milhões de habitantes, e é a segunda aglomeração metropolitana do Brasil, cujo o núcleo é a cidade do Rio de Janeiro. A mesa dos debates foi composta pelo arquiteto e urbanista coordenador da Câmara Metropolitana Vicente Loureiro, o arquiteto e urbanista do consórcio Quanta e Jaime Lerner Cid Bianco Junior, pelo arquiteto e urbanista consultor do plano Ricardo Pontual, e pelo engenheiro de macro drenagem da Coppe Paulo Canedo. A mesa foi mediada pelo presidente do IAB-RJ Pedro da Luz Moreira, e buscava encontrar um “senso de propósito” para a imensa aglomeração de 21 municípios, que conformam a cidade metropolitana do Rio de Janeiro. Click aqui para acessar a apresentação do Plano Metropolitano…

A primeira fala da noite foi do coordenador da Câmara Metropolitana do Rio de Janeiro, Vicente Loureiro, que iniciou colocando a necessidade de busca de um senso de propósito, uma direção para a imensa mancha urbana. Vicente destacou inicialmente a questão da densidade da grande metrópole, assinalando que apenas 15% da sua população miliares, o que ilustra a baixa densidade. Tal fato dificulta de sobremaneira a universalização das infraestruturas urbanas, uma vez que a área do território é muito espalhada. Nesse contexto é fundamental a questão de uma política habitacional, que consiga produzir habitação nas diversas centralidades da metrópole, e não mais nas periferias distanciadas, como tem sido feito. O enfrentamento da questão da auto construção e da informalidade precisa ser encarado, como uma das ações dessa política habitacional, conformando um cardápio de enfrentamento do problema, que envolve a urbanização das favelas e a construção de novas unidades. A polinucleação da metrópole, também foi enfrentada, propondo-se um caminho de tentar reequilibrar a hierarquia entre centralidades, reduzindo as demandas por deslocamentos de longa distância. A rede ferroviária da cidade foi caracterizada como uma das maiores redes de trens urbanos do mundo, que precisa ser requalificada como um modal confiável, que precisa receber uma densidade habitacional maior nas suas bordas. Por último, Vicente tratou da questão do meio ambiente, abordando temas variados como a Baía de Guanabara, a licença para minerações que são insumos fundamentais para a construção civil, tais como argila, brita e areia, as bacias hidrográficas, e os contínuos montanhosos ocupados por florestas. A proposta do plano nessa matéria é elaborar propostas multidisciplinares e multifuncionais, capazes ao mesmo tempo de dar resposta para problemas diferenciados. Ainda ao final, Vicente Loureiro abordou a necessidade de construção de uma identidade metropolitana, a partir do patrimônio arquitetônico já construído nesse imenso território, e que precisa ser conhecido e desfrutado.

Logo após essa fala, o arquiteto e urbanista do Consórcio Quanta Lerner, Cid Bianco Junior abordou a ausência de referências e experiências brasileiras no tema da configuração das cidades metropolitanas. Os projetos multifuncionais, que pretendem abarcar temas como mobilidade, macro drenagem, resiliência, tratamento paisagístico, implantação habitacional e de parques de interesse metropolitano são para Cid as melhores experiências do atual plano. A questão da governança, que envolve a autonomia dos 21 municípios, e que precisa ainda ser negociada se constitui como um campo de incertezas.

O arquiteto e urbanista Ricardo Pontual, que é consultor do plano para a questão da política habitacional do plano reforçou a necessidade de assistência técnica a autoconstrução, como item fundamental para melhorar a habitabilidade na metrópole. Pontual também apontou a necessidade de um organismo capaz de gerenciar a política habitacional na metrópole, como existente em São Paulo, como a CEHAB, que precisa ir além da produção de unidades, mas também gerenciar o valor da terra urbana. O arquiteto também assinalou a necessidade da constituição de um fundo para moradia na metrópole, que precisaria ser gerenciado de forma transparente, prestando conta de suas iniciativas.

Por último o engenheiro Paulo Canedo da Coppe anunciou que no ano de 2018 será realizada na cidade do Rio de Janeiro a Conferência Mundial da Água, um evento de suma importância para o planeta. Canedo reforçou de forma enfática e didática a necessidade de gestão do processo de saneamento da metrópole, flexibilizando o regime de separação absoluta entre águas pluviais e esgoto sanitário nos tempos de menor precipitação de chuvas.

Ao final a palavra foi franqueada ao público, que se posicionou questionando alguns dos posicionamentos colocados pela mesa, como a flexibilização do regime de separação absoluta ou os sistemas de abastecimento de água previstos para os próximos anos, como o reservatório no muunicípio de Cachoeira de Macacú. A mesa respondeu esses questionamentos apresentando argumentos, que invariavelmente envolviam os custos de implantação de outras alternativas e hipóteses. Ao final, o presidente do IAB-RJ, encerrou o debate sublinhando que os planos e projetos eram o território da explicitação dos conflitos da sociedade, e que as hipóteses ali apresentadas foram muito bem defendidas, e que era fundamental ampliar aquela apresentação, trazendo mais atores para o debate.