E, agora? Intervenção Militar no Rio de Janeiro?

O Instituto de Arquitetos do Brasil, departamento do Rio de Janeiro (IAB-RJ) entende que a situação da segurança pública na cidade metropolitana do Rio de Janeiro, e nas cidades brasileiras não é satisfatória, e afeta principalmente os extratos mais vulneráveis economicamente de nossa sociedade, assim como as suas periferias menos privilegiadas. Nesse sentido, a intervenção federal no governo do Estado do Rio de Janeiro na área de segurança pública acumula indícios de mais uma decisão intempestiva, sem planejamento e articulação, que quer faturar encima do medo da população em geral, sem enfrentar de fato o problema da segurança pública.

Precisamos de uma política de Estado efetiva na área de segurança publica, pensada e articulada, que certamente envolve o policiamento, a repressão aos delitos, inteligência policial, articulação entre os diversos agentes responsáveis, mas não devemos nos restringir apenas a esses itens. Precisamos também entender que essa violência atinge de forma diferenciada o espaço de nossas cidades, nas quais as partes, locais ou bairros mais impactados são aqueles onde a ausência do Estado e da Constituição Federal se fazem notar pela ausência da “urbanidade”. Precisamos, portanto de uma política de inclusão desses espaços e localidades e dos seus habitantes, uma política que enfrente de forma efetiva a exclusão espacial que nossas cidades representam.

Enfim, urbanização de favelas, valorização da escola pública, valorização do ensino, do professor, melhorias habitacionais nas favelas, saneamento básico, transporte público, valorização do espaço público, iluminação, calçadas… Enfim; “urbanidade”

Nosso problema é que nossos políticos desconsideram o arranjo espacial de nossas cidades, e como esse materializa uma imensa exclusão. Apenas como exemplo, não é mais possível conviver, em pleno século XXI, com os níveis de saneamento das nossas cidades (47% dos esgotos sanitários não são corretamente destinados). Pensem na violência que representa uma criança com menos de dois anos de idade convivendo com essa falta de saneamento. Ela estará sujeita a doenças, que podem comprometer todo seu desenvolvimento.

Chega de violência!

NOTA TÉCNICA CONJUNTA Nº 01/2018
Ministério Público Federal
http://www.iabrj.org.br/Doc_PGR_00072549_2018.pdf