Encontro de alto nível abre série de Conversas Comemorativas do Cinquentenário da Premiação Anual do IAB-RJ

Começou em grande estilo a série de rodas de conversa com vencedores da Premiação Anual do IAB-RJ. No último dia 7 de maio, os arquitetos Marcos Konder Netto, Miguel Alves Pereira, Luiz Eduardo Índio da Costa e Bruno Fernandes discutiram o impacto do prêmio em suas vidas e carreiras.

Konder, idealizador do Premiação, criada à semelhança do prêmio anual de uma revista americana de arquitetura, disse que concorreu poucas vezes, e considera suas vitórias ‘fortuitas’. Em uma das edições, garante, concorreu “só para não fazer parte do júri”, pois um amigo iria concorrer e ele não queria ter de julgar o trabalho. “Eu não tinha a menor expectativa de ser premiado, mas fui escolhido em um júri em que estava o Oscar Niemeyer”, lembrou.

Índio da Costa, que foi um dos eleitos logo no início de sua carreira, destacou o papel da Premiação para os arquitetos mais jovens. “A premiação do IAB sempre foi uma forma de medir o seu trabalho diante dos pares e da sociedade. É muito estimulante, principalmente quando você é mais moço”, disse.

Índio lembrou o seu primeiro trabalho premiado, em 1965: o alojamento dos ursos himalaios no Jardim Zoológico do Rio de Janeiro, que acabou por se tornar o alojamento dos macacos. Segundo ele, a conquista do prêmio foi duplamente satisfatória: “foi gratificante o reconhecimento do trabalho, e veio acompanhado de uma emoção forte, por causa de críticas do Lacerda,” disse, em referência a Carlos Lacerda, que na ocasião era Governador do Estado da Guanabara.

O segundo projeto que rendeu a Índio o prêmio do IAB foi o centro de atividades do SESC de Madureira, um projeto que previa expansões. “Ele se propunha a ser uma arquitetura evolutiva, já que o SESC imaginava agregar mais espaços com o decorrer do tempo, o que efetivamente aconteceu. O projeto, então, foi todo modulado de uma maneira que as evoluções não pareceriam adendos e sim uma continuação natural”, destacou.

Bruno Fernandes ressaltou a importância da Premiação para a categoria, mas lembrou que nem sempre os projetos são tirados do papel. Entretanto, sua própria residência – construída e premiada – deu a ele a oportunidade de novos clientes. “Era o trabalho de um arquiteto jovem e sem dinheiro, feito da forma mais barata e mais simples possível”, divertiu-se.

Para Bruno, a premiação e a construção da casa rendeu várias novas oportunidades de trabalho. “Foi a primeira vez que vi aquela relação idealizada como estudante, de que vamos ganhar o Prêmio e todo mundo vai ligar pra gente, vai ter trabalho à vontade”, concluiu.

As rodas de conversa que comemoram o cinquentenário da Premiação Anual serão realizada durante os próximos meses. A segunda edição já tem data confirmada: 28 de maio.