Encontro no IAB-RJ discute e consolida grupo de trabalho sobre Operações Urbanas

No último dia 24 de janeiro de 2018 realizou-se no auditório do Instituto de Arquitetos do Brasil, departamento do Rio de Janeiro (IAB-RJ) debate sobre a construção de Masterplans urbanos, como estratégia para pré figuração da cidade que queremos. O evento contou com a participação de um grupo significativo de jovens arquitetos, que estão interessados no tema, e dispostos a criar um caldo de cultura crítica no IAB-RJ, apontando que a construção de outra cidade brasileira é possível, contando com provocações do presidente do IAB-RJ, Pedro da Luz Moreira e do arquiteto Rafael Saraiva.

O evento foi aberto pelo presidente do IAB-RJ, Pedro da Luz Moreira, que relatou sobre o encontro do Conselho Superior (COSU) do IAB nacional realizado em Brasília, entre os dias 17-20 de janeiro de 2018, que aprovou resoluções importantes para a conformação das cidades brasileiras, tais como; a necessidade de implementação de uma política continuada de urbanização de favelas, e a Ação de Inconstitucionalidade da lei 13.465/17 que trata da regularização fundiária. Além disso houve também menção ao aniversário de 97 anos do IAB-RJ, que no próximo dia 26 de janeiro completará 97 anos de luta pela valorização da arquitetura e da cidade brasileira, bem como pela ampliação da transparência na configuração da ocupação do território do país pelo homem. Após esses relatos, o presidente do IAB-RJ chamou a atenção da necessidade de pré figuração continuada da cidade brasileira, para que tenhamos consciência da direção que tomamos, “o plano e o projeto precisam acomodar os conflitos de interesse, que governam nossas aglomerações.”

Após essas considerações o arquiteto Rafael Saraiva iniciou sua apresentação, apontando a dispersão de energias e recursos, que muitas vezes envolvem os empreendimentos imobiliários na cidade brasileira, “por conta da ausência de desenhos e comunicação os planos e projetos tendem a ser documentos arquivados, e não instrumentos que monitorem o encaminhamento dado às nossas centralidades.” Rafael apontou a necessidade de escolha de determinados pontos do território da cidade, como catalizadores de expectativas, apontando as centralidades responsáveis pela conexão inter modais de transportes, como locais sínteses para promoção de transformações, que concentrem recursos. Nessa perspectiva, apresentou uma simulação nas estações de inter conexão de Vicente de Carvalho, que articula o BRT transcarioca com o Metrô, simulando aí uma possibilidade de eleição de uma Parceria; Público, Privada (PPP) de interesse de toda a metrópole, e portanto, com capacidade de demonstração exemplar. Depois da apresentação seguiu-se um profícuo debate dos participantes apontando aspectos relevantes para as Operações Urbanas dessa natureza, que envolviam a necessidade de transparência, a caracterização dos agentes interessados de forma clara, as especificidades do desenvolvimento das cidades brasileiras, a pulverização dos empreendedores, a divulgação e a comunicação das transformações.

Ao final foi determinado a consolidação de um grupo a partir dos emails constantes na lista de presença, que construirão uma agenda e uma pauta de atuação para o grupo, que pretende tanto construir simulações concretas no território da cidade do Rio de janeiro, bem como apontar inconsistências no desenvolvimento atual da mesma cidade.