Evento no IAB-RJ discute futuro do Estado do Rio de Janeiro, com políticos e organizações da sociedade civil

Na última segunda feira dia 07 de maio de 2018 no auditório do Instituto de Arquitetos do Brasil, departamento do Rio de Janeiro (IAB-RJ) reuniram se políticos e representantes da sociedade civil organizada para debater o futuro do Estado do Rio de Janeiro. Estavam presentes e compuseram a mesa de debates a Deputada Estadual Martha Rocha do PDT, o empresário e radialista Paulo Gontijo do movimento Livres, e o geógrafo Henrique Silveira da Casa Fluminense, e também o presidente do IAB-RJ, arquiteto Pedro da Luz Moreira.

O debate foi iniciado com a fala da Deputada Estadual pelo PDT Martha Rocha, que começou pontuando pela sua própria trajetória, destacando a questão da política de segurança em contraposição a política de educação, que foi o mote do governo na década de 1980, com a reconquista da democracia e a eleição de Leonel Brizola. Naquele momento, a política do governo do Estado do RJ já apontava a importância do investimento em educação, com qualidade, para poupar recursos na construção de presídios, e no investimento em segurança. Segundo Martha Rocha, a realização da Conferência ECO1992 na cidade do RJ apontou a necessidade de instalação da primeira Garantia da Lei e da Ordem (G.L.O.) pelo Exército, devido as incertezas que já rondavam a segurança. Desde esse momento até o advento das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), a política de segurança do Estado do RJ não se estruturou como uma política de Estado, mas a partir de diferentes posicionamentos, que demonstraram uma verdadeira deriva. Com a recente GLO decretada pelo Governo Federal no começo de 2018, segundo Martha Rocha, “a política de segurança retorna a velha deriva, e inclusive desdenha das comparações feitas pelos índices do Instituto de Segurança Pública (ISP), alegando que em 2017 houve greve da Polícia Civil no Estado do RJ. Essa alegação, ainda segundo a Deputada não se justifica, “pois as coletas de dados relativos à homicídios e roubos de carro são obrigações que a Polícia Civil não deixou de coletar. Ao final, Martha Rocha reforçou a ideia de maior estruturação das políticas de Estado, lembrando do difícil tema do déficit orçamentário, que atingiu o país a partir de 2015.

Após a Deputada, o empresário e radialista Paulo Gontijo, do Movimento Livres, iniciou sua fala pela questão da recente filiação do Deputado Bolsonaro ao PSL, o que levou o Livres a sair do partido, por incompatibilidade com a agenda conservadora nos costumes. Paulo Gontijo afirmou o compromisso do Livres com o fomento do livre empreendedorismo, e o aumento da transparência das ações do Estado no Brasil, principalmente no que concerne ao nosso regime tributário. O empresário também pontuou, que o Livres não luta mais pelo Estado Mínimo, mas por uma maior eficiência e justiça nas ações governamentais, que volta e meia penalizam os extratos mais precários de renda, beneficiando corporações e interesses. O Estado Previdenciário foi duramente criticado pelo empresário, que assinalou a absoluta necessidade do Brasil e o Estado do Rio de Janeiro enfrentar o tema discutindo um novo Pacto Federativo.

Por último, o geógrafo Henrique Silveira da Casa Fluminense destacou a imensa encrenca – “uma tempestade perfeita” -, na qual estão inseridos o Brasil e o Estado do Rio de Janeiro, com três ex-governadores e seis conselheiros do Tribunal de Contas do Estado presos. A deterioração política é um fato, que pode ser aferido pela ausência do compartilhamento de um horizonte político, materializado pela ansiosa procura de alguma liderança, que construa uma pauta convincente. A perda de 55 mil vagas de empregos no âmbito do Estado do Rio de Janeiro, cifra que superou todas as outras unidades da federação, lançando uma grande insegurança sobre o futuro de uma parcela expressiva de nossa população. Henrique destacou também no campo do equilíbrio fiscal, a necessidade de ampliação das receitas, e não só do corte de despesas, a partir do fomento das potencialidades econômicas já instaladas na cidade metropolitana e no Estado do RJ. O coordenador da Casa Fluminense levantou a importância no campo da segurança, da superação da lógica da guerra, principalmente nas favelas e periferias, que nessa semana mesmo determinou o fechamento da Linha Amarela e da Estrada Grajaú- Jacarepaguá, na cidade do Rio de Janeiro.

Após essas colocações, foi aberto o debate ao público, que centrou suas preocupações em problemas espacializados como; a Baía de Guanabara e sua despoluição, ou a compreensão da insegurança, que claramente está materializada no território da cidade de forma diferenciada. As colocações finais dos palestrantes procuraram destacar a absoluta necessidade, de que a próxima administração municipal e a correspondente bancada legislativa deverá ser criativa, investindo em ações de baixo custo e alto impacto de convencimento da população. Ao final o presidente do IAB-RJ, Pedro da Luz Moreira lembrou do grande evento que se realizará na cidade no ano de 2020, o Congresso da União Internacional de Arquitetos, que espera reunir 15 mil arquitetos estrangeiros na cidade, que certamente será uma grande oportunidade de negócios, e que discutirá as diversas formas do homem ocupar o nosso planeta.