Gestores públicos e sociedade civil cobram instituições de planejamento nos municípios do Rio

O desenvolvimento urbano, social e econômico dos 21 municípios que compõem a Região Metropolitana do Rio de Janeiro (RMRJ) será alcançado apenas com planejamento. A conclusão é dos especialistas, dos gestores públicos e dos representantes da sociedade civil participantes do Seminário de Planejamento e Cooperação Municipal na Metrópole do Rio. Promovido pela Casa Fluminense e pelo IAB-RJ, evento aconteceu na terça-feira, 11 de abril, e lotou o auditório da Casa do Arquiteto Oscar Niemeyer, sede do IAB-RJ.
Além do planejamento, a análise do atual contexto econômico do país, em especial do estado do Rio de Janeiro, é indispensável para o desenvolvimento metropolitano. Para o presidente do IAB-RJ, Pedro da Luz Moreira, o momento é difícil, mas propício para buscar formas alternativas e sustentáveis de promover o desenvolvimento das cidades. “Precisamos reequilibrar os acessos às oportunidades na Região Metropolitana do Rio e levar conforto e infraestrutura para as regiões mais carentes. Entretanto, esse reequilíbrio não significa abandonar o Centro do Rio”, afirmou.
Segundo o presidente do Instituto Pereira Passos (IPP), Mauro Osório, os municípios precisam ter instituições de planejamento a exemplo do IPP. “As instituições de planejamento são fontes de dados e de indicadores importantes. Com informações, os gestores podem definir e orientar suas ações”, defendeu Osório. Para o economista, é fundamental investir nas vocações econômicas dos municípios para que deixem de ser dormitórios. “A baixada fluminense, por exemplo, não vai sair do lugar enquanto não tiver um planejamento macro para a região”, disse Osório.
Membro do Conselho de Governança da Casa Fluminense, José Marcelo Zacchi ressaltou a importância de os planos municipais estarem articulados entre si: “Estamos tendo noção da escala das nossas tarefas, e não teremos êxito se não produzirmos de forma integrada e coordenada. Investimentos em transporte, por exemplo, devem estar articulados com políticas habitacionais e de geração de emprego. Sem planejamento, não conseguiremos avançar”, alertou.
A Câmara Metropolitana deu mais um passo importante para a coordenação das ações de interesse comum aos 21 municípios da RMRJ. Em março, o órgão apresentou o novo mapa metropolitano. A atualização da cartografia da região acontece após 30 anos do último levantamento. “Trata-se de um instrumento importante para aprimorar as ações de gestão pública, estimular o planejamento urbano e a organização espacial”, afirmou Vicente Loureiro, diretor executivo da Câmara Metropolitana. Um dos avanços do documento são as informações aerofotogramétrica de toda região metropolitana.
O Seminário de Planejamento e Cooperação Municipal na Metrópole do Rio teve como objetivo fortalecer o ambiente de cooperação intermunicipal na metrópole do Rio de Janeiro. A programação foi composta de painéis para apresentação de casos de sucesso em planejamento e cooperação intermunicipal, com a participação de secretários e organizações da sociedade civil especializadas no suporte técnico à elaboração de políticas públicas setoriais. Uma feira de organizações aconteceu em paralelo, oferecendo aos participantes material de apoio para a implementação de soluções e dando oportunidade para o estabelecimento de contatos entre gestores públicos e organizações da sociedade civil e do setor privado.