
O arquiteto Günther Vogt, um dos responsáveis pelo plano para os Jogos Olímpicos de 2012, defendeu no “Simpósio Brasil-Suíça” a priorização do legado urbano que os grandes eventos podem proporcionar às cidades anfitriãs. O professor do Swiss Institute of Technology, de Zurique, disse que no caso londrino o que vem se desenvolvendo é uma “arquitetura estratégica”.
Vogt citou as Feiras Mundiais, realizadas desde meados do século XIX, como o início do processo de transformação de várias cidades. O Christal Palace, em Londres, e a Torre Eiffel, em Paris, são os principais ícones de construções que tiveram uso posterior aos eventos que receberam. Do mesmo modo, Chicago e Ghent, especialmente, souberam aproveitar as grandes feiras, assim como Amsterdam, Montreal e Munique, já no século passado, utilizaram os Jogos Olímpicos como catalisadores de transformações urbanas. “Barcelona-92 virou um grande exemplo, e Pequim deu um uso interessante ao Ninho do Pássaro, hoje um parque público que não depende apenas de eventos esportivos”, avaliou.
Em Londres, uma área considerada pobre, na região leste da cidade, será a grande beneficiada. “Não estamos interessados em deixar ícones arquitetônicos, mas legados efetivos para a cidade”, disse o arquiteto, citando a futura transformação da vila olímpica em habitação para 10 mil moradores. O arquiteto, porém, preferiu não emitir opinião sobre o projeto carioca. “Para quem está de fora é difícil julgar”, disse.

