
Em sua palestra no “Simpósio Brasil-Suíça”, o arquiteto Sérgio Magalhães, presidente do IAB/RJ, voltou a defender a Zona Portuária do Rio como foco de investimentos para os Jogos Olímpicos de 2016 e a transformação dos trens suburbanos em metrô. “O metrô de São Paulo vai investir R$ 23 bilhões entre 2007 e 2011, enquanto a Supervia mais o governo do Estado pretendem gastar R$ 2,2 bilhões de 2009 a 2020. Ou seja: em 11 anos, o Rio vai disponibilizar para os trens menos de 10% do que São Paulo em apenas quatro no metrô”, disse Sérgio. Em relação à expansão do metrô até a Barra – a um custo estimado de R$ 11 bilhões –, o presidente do IAB/RJ lembrou que o bairro da Zona Oeste tem apenas 200 mil habitantes, contra 6,5 milhões de moradores das regiões servidas pelo sistema de trens.
Sérgio Magalhães defendeu a necessidade de se frear a expansão em direção à Zona Oeste – que a concentração dos Jogos na Barra só tende a agravar – iniciada pelos planos Dioxiadis e Lúcio Costa, responsáveis pelo desadensamento do Rio. “Na década de 60, a densidade demográfica da cidade era de 15,8 mil habitantes por quilômetro quadrado. Em 1996, já tinha caído para 9,8 mil – menor do que em 1870, quando eram 10 mil moradores por quilômetro quadrado”, disse o arquiteto. Enquanto isso, Paris, por exemplo, continua ocupando desde a reforma de Haussmann a mesma mancha urbana, que reúne todos os seus monumentos-símbolo. E quanto maior o espaço ocupado, maior também o volume de investimentos necessários para o sustento da infraestrutura urbana.
Em relação ao projeto olímpico carioca, Sérgio Magalhães lembrou que ¾ da Zona Portuária são de terrenos públicos (sendo 62% pertencentes à União, 6% ao Estado e 6% ao Município), e a transferência da Vila de Mídia para o porto vai diminuir consideravelmente os deslocamentos durante os Jogos. Citando o exemplo de Londres – que vai sediar os Jogos de 2012 –, Sérgio defendeu uma concentração maior na região.
