Volumetria e telhado de cerâmica marcam estilo da arquitetura de Búzios que atravessa gerações

Um breve sobrevoo pela península da Armação dos Búzios revela, além das belezas naturais, a sua principal caraterística arquitetônica – uma cidade baixa. Isso se deve à volumetria das edificações em dois gabaritos e seus clássicos telhados em cerâmica.

Todas as construções devem respeitar o limite máximo de dois pavimentos, sendo a taxa de ocupação da sobreposição (segundo pavimento) parcial, evitando os chamados “caixotes”. Além de horizontalizar da cidade, o charme se intensifica com a preservação das coberturas em telha cerâmica, remanescentes da então colônia dos pescadores, que conservam o “estilo Búzios”, proporcionando maior harmonia no balneário.

O estilo colonial do telhado defendido com afinco, inicialmente, pelo arquiteto Octavio Raja Gabaglia, foi logo incorporado também por Arthur Carlos Costa, Chico Sales, Paulo Guilherme e Ricardo Guterres, entre outros. Ganhou corpo ao ser adotado pela geração seguinte de Alejandra Garzuze, Alice Passeri, Antonio Amaral, Roberto Aracri, Sandra Gnattali, que bateram o martelo e passaram essa expertise para a geração muito atuante hoje de Ana Luiza Gnattali, Andrea Bungarten; Daniel Lobato Costa, Gisele Ribeiro, Guido Campanate, Paula Medina, Pedro Campolina, Sylvia Schlemm…Essa bandeira defendida por Zanine, que emociona a cidade, será adotada pela nova”fornada”de jovens arquitetos- Isabela Amaral, Catalina Garzuze, Gabriel Aracri e João Teixeira -, filhos da cidade, que assegurarão a continuidade da boa arquitetura buzina,mantendo a forma, possivelmente utilizando recursos mais ecológicos. Essa geração transportará o conceito aplicado em Búzios para além das fronteiras da cidade.

Essa trajetória e outras curiosidades poderão ser conferidas através de fotos, vídeos, ambientes, quadros, instalações, objetos de design, maquetes e técnicas construtivas exibidas na exposição Arquitetando em Búzios, a partir do dia 21 de julho, no Espaço Zanine, que traz a essência desse total de 706 anos experiência, dos 25 expoentes da arquitetura local. Outras características marcantes do estilo de quem vem “arquitetando em búzios” são a exploração da beleza e iluminação naturais.

Lá mostraremos a casa sustentável (com biodigestor) da Gisele Ribeiro, a restauração pelo arquiteto Arthur Carlos Costa, da Caza do Sino, uma central e distribuição de escravos, hoje patrimônio histórico tombado; o paisagismo de Paulo Pinto, as construções de eucalipto e bambu de Antonio Amaral; arquitetura intuitiva e objetos de design criados por Guido Campanate; as sofisticadas construções residenciais de Roberto Aracri; a profunda pesquisa da Gnattali arquitetura, dedicada ao Hotel Vila da Santa, nos Ossos, que reproduz uma vila mediterrânea; o ambiente decorado pelas arquitetas Schlemm&Bungarten; a instalação de cubos e vertentes da arquitetura de Laura Vivacqua; os conceitos contemporâneos de reciclagem por Alejandra Garzuze; os elementos naturais da arquitetura contemporânea de Paula Medina; projetos de relevância de Chico Sales; os projetos de arquitetura paisagística de Campolina; os projetos residenciais e comerciais que aliam conforto à praticidade, de Daniel Lobato Costa; a implantação primorosa das casas de Octávio Raja Gabaglia, a arquitetura de interiores, móveis desenhados, espaços comerciais além de residências de Paola Acatauassú, os traços simples e marcantes de Leonardo Maffia; o conceitos de espaço, luz e natureza de Ricardo Guterres; as intervenções provocativas das pinturas de Morgana Souto Maior; as pinturas de Hernan Katz; os espaços minimalistas e otimizados, quase como arquitetura naval de Paulo Guilherme; a pousada ecológica Janelas para o Mar de Helena Oestriech e três instituições: Núcleo IAB Búzios, Secretaria de Planejamento Urbano e Projetos e Secretaria de Desenvolvimento Urbano de Búzios.